12 de abr. de 2011

Caricaturra com Titia Elaine


Mestre em Literaturas de Língua Portuguesa, a professora Elaine Moraes trabalha atualmente na Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da União. Leciona no curso de Comunicação na Faculdade Promove e no Instituto de Educação Continuada da PUC Minas. Foi na aula dela que surgiu o nome do Jornal, por isso não abrimos mão de tê-la na nossa estréia.
Durante a conversa, ela conta que em seu primeiro dia de aula como professora, no Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, na época com 24 anos, foi confundida com uma aluna. Na semana seguinte ao ocorrido, considerado muito grave por ela, arrumou um saltinho e foi com o cabelo mais preso para ver se envelhecia no mínimo uns cinco anos. Perguntada sobre o tipo de música que curte, ela foi enfática: "Samba, muito samba". Quando o assunto é "homem" a geminiana afirma que um homem pode ser divertido e intelectual ao mesmo tempo. "Eu não acho que pelo fato de ser professora e jornalista eu tenha que encontrar alguém nessa praia. Acho que na verdade você tem que procurar uma pessoa que te provoque, que te desperte de alguma forma e que agregue algo". Confira o papo super descontraído que tivemos.
Qualidade: Persistente
Defeito: Ansiosa
Se fosse para você escolher outra profissão, qual escolheria?
Com certeza alguma carreira jurídica.
Você tem alguma rede social?
Minha interação via web está centrada nas formas mais comuns e “antigas”: e-mail, MSN, fóruns. Como dou aula, vamos dizer que eu não estou “por aí na rede”, justamente para evitar relações e situações constrangedoras.
E o que você acha da interação dos alunos com os professores nas redes sociais?
Eu acho salutar, desde que as pessoas entendam qual é o objetivo. Eu não tenho nada contra, inclusive tenho hoje grandes amigos que foram meus alunos. Eu tenho um carinho enorme pelo Rennan, pela Heloisa e Luciana que foram alunas aqui do Promove... Eu as considero muito e abriria a porta da minha casa para elas. Mas acredito que, em geral, as regras do jogo ainda não estão claras. Eu, particularmente, não gosto de me “exibir” por aí na rede!!! O que eu uso mais hoje é o MSN, em algumas ocasiões, até mesmo para tratar um assunto de trabalho. Eu acho super pertinente. Confesso ainda que adoro ver as comunidades da minha irmã no Orkut. Acho que o Orkut é a tradução do que o Stuart Hall chama de sujeito fragmentado. Hoje o sujeito não possui uma única identidade, ele é fragmentado, portanto possui identidades culturais diferentes. Ele consegue se configurar de forma múltipla. Então é interessante ver que a mesma pessoa que faz parte da (comunidade no Orkut) “OAB-Jovens, luta pelos direitos humanos” é a mesma pessoa que está em “Todos os cachorros são lindos”. Então acho que o Orkut é uma rede social que reflete esse sujeito contemporâneo. É muito interessante. Ainda sou uma principiante, não sou nativa no mundo digital como disse o palestrante outro dia (Maurilo Andreas, que palestrou na aula inaugural do curso de Produção Multimídia na unidade João Pinheiro). Ainda tenho muito zelo, muito cuidado. Mas eu acredito muito nessa forma de comunicação e acho que é a que mais vai crescer de agora em diante.
Qual filme você considera um clássico do cinema?
Gente, eu tinha que fazer uma lista com uns 20. Nossa, posso falar todos do Woody Allen? Olha, obviamente aqueles que são o'concur. “Cidadão Kane”, “A rosa púrpura do Cairo” de Woody Allen, “Celebridades” também de Woody Allen. Almodóvar, amo Almodóvar. “Tudo sobre minha mãe”, “Fale com ela” e “Abraços partidos”. “Lolita” é um clássico, adoro... Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na terra do Sol”. Nossa, gente, essa pergunta é muito maldosa.


Qual livro um universitário não pode deixar de ler?
Gente vocês estão fazendo perguntas que não têm uma única resposta. Por favor, eu quero que isso conste na minha resposta, porque essas são perguntas que possuem várias respostas. Deixa eu pensar... Todas as obras literárias do mundo? (risos)
Embora não seja um livro considerado didático, eu acredito que ele tenha um potencial didático enorme. Ele retrata na verdade a história dos veículos de comunicação no Brasil. E é uma biografia sobre o Assis Chateaubriand. “Chatô, o Rei do Brasil” de Fernando Morais. Nenhum universitário em comunicação pode passar pela universidade sem ler esse livro.
E qual é o seu programa preferido?
Bom, normalmente quando eu ligo a televisão é para assistir a filmes. Gosto dos filmes que passam no Cine Cult. Adoro filme preto e branco até hoje. Gosto muito dos documentários da GNT. Gosto do "Espaço Aberto" que é um programa da Globo News. Adoro o Soares e “Por toda a minha vida”. Gosto de muita coisa que tá rolando por aí. Mas no domingo não há vida inteligente na televisão aberta.
Do que você tem medo?
Perder a lucidez.
Para finalizar, com relação à sua carreira, aonde você quer chegar? O que mais você pensa em fazer?
Nossa, isso é coisa de ficar pensando durante um ano.
Não pensa, por exemplo, em fazer parte da Academia Brasileira de Letras?
Nossa, pretensiosa ela hein, hum. Agora é serio, no meu tempo de segundo grau, eu até pensava em alguma coisa nessa linha aí!!! Só que depois de ler mesmo... de verdade... Clarice Lispector, Dostoievsky, Paulo Mendes Campos e cia eu acho que não vale a pena. Tudo que você escreve, você pensa: “Se é pra escrever e não ficar tão bom, não vale a pena”. Aí você desiste. É engraçado isso. A partir do momento que eu me tornei de fato uma leitora de literatura meio que caiu a ficha. Eu nunca vou escrever assim, que dó. Mas eu quero ainda publicar um livro, isso é certo. Quero fazer Doutorado. E quero fazer parte de um projeto desses que você vai pra África, faz pesquisa... alguma coisa assim com a cara da ONU.
E ai o que acharam da professora Elaine?

ENTREVISTA - POR MATHEUS TORRES E NANA MIRANDA

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